[ Eu sou ]
Patrícia. Dezenove anos. Campinas, São Paulo, Brasil. Morando com os pais. Fazendo cursinho. Matando o tempo. pbortolotto@ibest.com.br

[ Eu gosto ]
Meu quarto, meu travesseiro, meu computador. Minha família, meus amigos, minha neném. Dias chuvosos, noites estreladas. Ler, escrever, interpretar, dançar. Roupas que fazem me sentir bem, mesmo sem ser da moda. Rock, Hiphop, Pop, R&B, Reggae. Coisas salgadas que possa levar catchup, coisas doces que tenha chocolate branco. Ficar na Internet, ouvir música, falar no telefone, assistir televisão. Dormir, comer, beber, dormir. Namorar. Sitcoms, talkshows. Branco, preto, azul e vermelho. MSN, ICQ, Paltalk, Netmeeting, Skype, Kazaa, Orkut. Aulas de História, de Geografia e de Literatura. Cinema, teatro, shows, balada. Praia da Joaquina, (Florianópolis-SC), Axé Moi (Porto Seguro-BA). Beatles, Justin Timberlake, Eminem. Guns and Roses, 50 cent, Christina Aguilera. Evanescence, Bob Marley, Nirvana. Santana, Alejandro Sanz, D-12. Cazuza, Cássia Eller, Legião Urbana. Chico Buarque, Cidade Negra, Ana Carolina. Sociedade dos Poetas Mortos, A Corrente do Bem, 8 Mile. Chicago, Cazuza- O Tempo Não Pára, Prenda-me Se For Capaz. Elogios, colo, carinho.

[ Eu detesto ]
Meu corpo, meu rosto, meus cabelos. Pessoas que se esquecem do meu nome, do meu aniversário, ou do meu telefone. Dias ensolarados, noites frias. Estudar pro vestibular, arrumar meu quarto, discutir. Roupas que cobrem demais, ou de menos. Pagode, Funk, Sertanejo. Comidas naturais demais. Acordar cedo, conexão discada, falta de dinheiro. João Kléber, Ratinho. Verde, Laranja , Amarelo. Aulas de Química, de Biologia e de Física. São Paulo –SP. Zorra Total, A Praça é Nossa. Sandy e júnior, Pepê e Neném, Jota Quest. Problemas, sonhos, destino.

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[Sábado, Janeiro 29, 2005]

Tragédia Doméstica Vol. 1 - A consciência conquistada após a cobrança materna por cooperação na casa

Eu vou dizer uma coisa. Não existe esse negócio chamado "facilidade". Existe essa nuvem que nunca sai do lugar. Que insiste em me lembrar das coisas que eu deveria Ter feito e não fiz. E que me prova que certos erros serão cometidos continuamente, até que eu desperte e quebre a inércia. Eu não vou dizer que vai dar certo. É errado demonstrar tanta inocência impunemente. Existe essa coisa de eu querer que dê certo. Mas, só a minha vontade não quebra a inércia. Tem também esse medo patológico de arriscar. Então os dias se sucedem e quando a gente se dá conta já se foram cinco anos ou dez. E talvez eu tenha interrompido meus planos, ou você tenha inconscientemente me obrigado a abortá-los. Mas não vamos cair nessa pequenez de pensar nesse tipo de coisa.
Eu queria poder provar que por um instante a minha vida havia cruzado aquela linha imaginária que contorna a responsabilidade. Mas o que resta agora é um desespero tentando respirar. Ainda assim, tenta dormir sossegada. Se sonhar com isso, não tire essa malandragem divina como mau presságio. E mesmo se tudo fizer com que você se lembre inadvertidamente da minha indiferença, sorria inadvertidamente o mais doce e desprotegido dos sorrisos. E espere a tempestade passar.
E aí eu caio na real e repito pra mim mesma: É claro que não é fácil. Em algum momento a gente achou que seria? Somos inteligentes demais pra não saber exatamente onde estávamos pisando. É claro que sabíamos e é claro que optamos por isso. Mas quer saber? Eu faria tudo outra vez. E mesmo se eu tivesse que me desculpar, como hoje, eu faria tudo de novo. Os meus erros valiam a pena.

(Mário Bortolotto - pobremente adaptado)


Dito por *P. Bortolotto* Sábado, Janeiro 29, 2005

[Quinta-feira, Janeiro 27, 2005]

O longo post no qual eu explico porque vocês não devem me odiar, e sim odiar o técnico que segurou o meu monitor durante uma semana inteira

Pois tudo estava indo bem na Patylândia, onde podia-se ficar na Internet durante toda a madrugada, acordar tarde, vomitar depois de todas as refeições e viver uma rotina medíocre, até que o monitor do computador queimou. E eu não sei o que isso significa pra vocês, mas na minha língua pátria, isso significa: Apocalipse. Ficar sem computador e , consequentemente, sem Internet, é uma das punições mais severas aplicadas à minha pessoa nesta casa e , portanto, a condição de abstinência virtual sem motivo aparente tem cruéis efeitos colaterais. Entretanto, eu fui extremamente forte e até saí de casa em 4 dos 6 dias que eu passei sem computador. Assustador, não?
Quarta-feira a minha Tia Solteira me ligou e me convidou pra ir assistir "Alexandre" com ela no Campinas Shopping. E sabe o que é mais intrigante? EU ACEITEI. E fomos, eu e a Tia Solteira, numa chuvosa tarde de Quarta-feira assistir três horas de homossexualismo épico no Box Cinemas. Obviamente, ela pagou por tudo. Até porque, que vontade teria eu de ir ao cinema com a Tia Solteira se eu tivesse que pagar a minha parte? E, afinal de contas, pra que servem as Tias Solteiras endinheiradas? E, não se precipitem, a vida fica ainda melhor do que isso.
Quinta-feira eu liguei para o Cara e chamei ele pra ir ao cinema. Sim, o "Cara" é aquele sujeito com o qual eu fiquei algumas vezes e que depois de um certo tempo começou a me tratar mal , talvez porque eu chamava ele insistentemente pra sair quando ele precisava estudar para não garantir um quarto ano de cursinho, talvez porque ele não queria levar as coisas a sério e manter-se solteiro...ou talvez porque eu não dei pra ele. Estando isso claro pra vocês, eu direi mais uma vez, só pra frisar : eu liguei pra ele e chamei ele pra ir ao cinema. E tem mais. Pra ver "Alexandre" novamente. Vocês podem bater em mim ,com violência, agora.
Mas antes que vocês me batam, saibam que eu fui no cinema com ele, só porque eu não ficava com ele há 3 meses e eu queria provar pra mim mesma que, embora ele tenha me dado inúmeros foras nesse meio termo, eu conseguiria ficar com ele de novo. Além disso, eu não ficava com ninguém há um mês , estava me sentindo carente e tinha interiormente a certeza de que se eu fosse homem e estivesse nesse mesmo grau de carência e tédio, eu estaria batendo punhetas fortes e constantes. Portanto eu fui ao Campinas Shopping ver "Alexandre" mais uma vez, mas desta vez, com quentes e longas sessões de putaria, deixando vestígios que certamente eu, o Cara, e os bancos da sala do Box Cinemas jamais esqueceremos.
Na Sexta-feira eu fui até a casa da minha amiga a pé. E isto pode parecer comum para vocês leitores, o que prova que vocês não são de Campinas e não têm idéia do dilúvio diário que tem ocorrido nesta cidade. Eu saí confiante de casa com o meu guarda-chuva porque estava apenas garoando, mas depois de 3 quadras a chuva apertou assustadoramente e manteve-se forte assim nas 6 quadras seguintes, até a casa da minha amiga. O meu tênis ficou encharcado, a minha bolsa estava até pingando e o meu cabelo estava uma bosta. Bom, o meu cabelo sempre está uma bosta. Nós assistimos "Kill Bill" e foi muito bom finalmente entender o começo do roteiro. Sim, porque eu sou aquela única pessoa tosca do planeta que viu "Kill Bill 2"antes de ver o 1. Desnecessário dizer que eu só assisti o 2 porque o Cara queria vê-lo no cinema comigo, não?
Sábado e Domingo eu não fiz absolutamente nada, além de ficar em casa observando a chuva e me recuperando da dor no coração que surgiu depois que o Cara não aceitou sair comigo neste fim-de-semana, dando o seu kajilhonésimo terceiro fora em mim. Eu devo estar no Guiness. Como eu fiquei um fim-de-semana chuvoso inteiro em casa sem computador e não cometi suicídio é um dos maiores mistérios da minha psique , algo que jamais saberemos. Segunda-feira eu levantei às 9:30 , depois de apenas 5 horas de sono, me arrumei e fui , com chuva e sem almoço, me encontrar com uma amiga pra fazermos uma prova e tentarmos ganhar bolsa no cursinho do Colégio Objetivo, no Centro. Depois fomos a pé até o Cursinho Zap pra saber dos preços, de lá fomos até o McDonald's e, não satisfeitas, até o cursinho onde eu estudava pro meu pai me trazer pra casa.
Tudo que eu consigo lembrar é que eu peguei no sono durante Senhora do Destino e acordei hoje às dez e meia da manhã. Hoje eu não fiz nada, porque não pára de chover e o meu ciclo menstrual , presente e atualmente muito forte, não me permite Ter uma vida social normal. Mas quem se importa com uma vida social? O meu monitor voltou e eu posso estragar a minha juventude na frente do computador de novo! \o/


Dito por *P. Bortolotto* Quinta-feira, Janeiro 27, 2005